quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Biodiversidade e Florestas


As florestas tropicais estão incluídas entre um dos ecossistemas mais ricos em espécies do planeta que, pela alta taxa de desmatamento e degradação de seus ambientes, têm sofrido a perda de inúmeras espécies da fauna e flora, pela redução da área de ocorrência e isolamento dos hábitats originais.

A perda do hábitat tem duas dimensões: a fragmentação (diminuição da área total) e o isolamento das áreas remanescentes. Muito se fala sobre fragmentação, e esta questão permanece controvertida em termos da sua importância e dos mecanismos associados à sua dinâmica. Mas a maioria dos especialistas concorda que ambos os aspectos (fragmentação e isolamento) devem ser considerados no planejamento e manejo da biodiversidade.

Com uma taxa de desmatamento estimada em 150.000 quilômetros quadrados por ano, as florestas tropicais do mundo têm sido alvo de intensa exploração de seus recursos e consequentemente foram reduzidas na maioria dos países que as possuem. Alguns mecanismos poderiam ser citados como relacionados à degradação dos ambientes florestais e perda das espécies associadas:

Distúrbios associados ao desmatamento com a retirada de recursos vegetais, caça predatória, alterações no curso dos rios e a intrusão de fogo e fumaça em fragmentos.
Diminuição das populações pela perda de área e endocruzamento.

Redução na imigração: muitas espécies são relutantes em cruzar as áreas abertas entre fragmentos.

Efeito de borda: as condições normalmente encontradas no interior da floresta se tornam mais secas e quentes à medida que se aproxima das bordas do fragmento, podendo provocar a morte de espécies arbóreas e animais.

Perda de elos da cadeia trófica de alta ordem: a perda de uma determinada espécie de carnívoro pode provocar a sua substituição por outros carnívoros que provocam alterações significativas na composição faunística das espécies que predam.


A fragmentação florestal é a redução e isolamento das florestas, provocando a perda do hábitat e alterando as relações ecológicas responsáveis pela manutenção das espécies e das comunidades biológicas isolada em seus remanescentes.

A questão da biodiversidade é um assunto muito controvertido e muito pouco conhecido, embora seja fácil perceber que a destruição das florestas acarreta em alterações ambientais determinantes para a fauna e a flora que as habitam, pondo em risco a sobrevivência destas espécies. De fato, conhece-se muito pouco da biodiversidade de nossas florestas, por carência de levantamentos sistemáticos e mais crítica ainda é a situação da Mata Atlântica por estar reduzida a algo em torno de 10% de sua área original e pelo pouco conhecimento de suas diversas fitofisionomias regionais que assume ao longo da costa brasileira.

Muitos motivos poderiam ser destacados para a preservação da biodiversidade mas de imediato o principal argumento é que ela se concentra principalmente nos trechos de florestas e ecossistemas associados, que possuem por sua vez, funções ecológicas de extrema importância para o homem, que dentre elas podemos destacar: regulação dos mananciais hídricos, retenção do solo e sua fertilidade, evitando o assoreamento dos leitos fluviais; fornecimento de inúmeros produtos como madeira, alimentos, remédios dentre outros e melhoria das condições climatológicas a nível local e regional por influenciar o ciclo hidrológico e global, estocando também carbono em sua biomassa.

Os fatores que acionam e catalisam os processos de degradação das florestas no Brasil têm sido os mesmos para todas as formações florestais, em épocas e intensidades diferentes, mas com o mesmo potencial de degradação ambiental e que podem ser, resumidamente, listados a seguir:

Indefinição de uso do solo.
Invasão de posseiros.

Reflorestamento com espécies exóticas.
Corte de madeira e lenha.

Desmatamento legais e ilegais para agricultura, pecuária ou silvicultura.

Queimadas.

Poluição.

Especulação imobiliária.

Caça.

Abertura de estradas
Projetos agropecuários.

Visitação e ecoturismo


Os aspectos culturais da tecnologia agrícola vigente e do uso do solo que contribuem para o desgaste prematuro do mesmo são:

Uso intensivo de culturas monoespecíficas de alta densidade.

Uso intensivo de fertilizantes e defensivos agrícolas.
Falta de utilização de curvas de níveis em terrenos inclinados.

Falta de manutenção das matas de galerias e de nascentes.

Uso do fogo para o preparo do campo sem o devida precaução (hora, estação do ano, vento, aceiro, controle visual e organização comunitária para controle e combate em casos de fogo acidental ou proposital)

Falta da rotação de culturas e associação de leguminosas sob a forma de adubação verde ou mesmo consórcio.

Falta de iniciativa (a nível de mercado e de pesquisa) para o desenvolvimento de novos
modelos de sistemas agro-silviculturais e agro-silvo-pastoris adequados regionalmente para a Mata Atlântica.
Práticas inadequadas de uso de recursos florestais.

Uso intensivo dos pastos.

A preservação dos fragmentos florestais remanescentes da Mata Atlântica necessita de ações imediatas que venham garantir as funções ecológicas das florestas e a sobrevivência de espécies animais e vegetais sobreviventes de um dos maiores desmatamentos brasileiros ao longo deste último século sobre um único tipo de bioma.


Esta desejada reversão no quadro atual de desmatamento e fragmentação só poderá ser efetivada com a redução dos desmatamentos e a expansão das áreas florestadas com a regeneração das áreas abandonadas, degradadas ou improdutivas. Este processo de revegetação geraria um maior controle da erosão de solos, recuperação dos mananciais hídricos, melhoria da qualidade de vida da população rural e redução de carbono atmosférico. Com a revegetação seria possível a recuperação do solo para novos ciclos de produção, florestas de retenção de solos e estabilização de encostas e margens de rios, melhoria da qualidade de vida de populações rurais e o dimensionamento de reservas energéticas para o parque industrial futuro com energia ecologicamente limpa - O carbono reciclado.

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