quinta-feira, 10 de abril de 2008

Tabebuia heptaphylla (Ipê-Roxo)

Tabebuia heptaphylla, popularmente conhecida como ipê-roxo, é uma das espécies que vêm sendo estudadas por ser de alto valor econômico, considerando-se as finalidades de sua madeira e extrativos foliares, e pela diminuição preocupante do número de indivíduos que ainda são encontrados em áreas de ocorrência natural.

Taxonomia

Família: Bignoniaceae
Espécie: Tabebuia heptaphylla (Vellozo) Toledo
Sinonímia botânica: Tabebuia avellanedae var paulensis Toledo
Tabebuia ipê Martius ex. K. Schumann Standley
Tecoma heptaphylla (Vellozo) Toledo
Tecoma ipe Martius ex K. Schumann
Outros nomes (vulgares): cabroé, graraíba, ipê (RJ,SC), ipê-de-flor-roxa, ipê-piranga, ipê-preto (RJ,RS), ipê-rosa (MG), ipê-roxo-anão (SP), ipê-uva, pau-d’arco (BA), pau-d’arco-rosa (BA), pau-d’arco-roxo (BA,MG) peúva (MS) e piuva (MS,MT). Na Argentina, lapacho e no Paraguai, lapacho negro.

Aspectos Ecológicos


Foto: Ibama (www.ibama.gov.br)

O ipê-roxo é uma espécie sedundária tardia, passando a clímax, tolerando a sombra no estágio juvenil. Devido ao seu porte, faz parte do extrato superior da floresta, possuindo alta longevidade.

É comum na vegetação secundária, abrangendo capoeiras e capoeirões, possuindo como habitat: Floresta Estacional Semidecidul e Decidual Floresta Ombrófila Densa e Mista, Chaco Sul-Matogrossence e Pantanal Matogrossence.

É uma árvore característica da Mata Latifoliada do Alto Uruguai, onde apresenta distribuição irregular e descontínua, sendo pouco freqüente, ocorrendo de preferência nas depressões dos terrenos e em solos rochosos. Rara nas florestas da Bacia do Ibicuí e na Fralda da Serra Geral, chegando até a Bacia do Rio dos Sinos. Não ocorre no Planalto e no Escudo Rio-Grandense.

Encontra-se exemplares de Tabebuia heptaphylla desde em florestas secundárias e primárias a bordas de clareiras e clareiras pequenas.

Informações Botânicas

Morfologia

Árvore de até 30 m de altura, podendo atingir 90 cm de diâmetro.

Os ramos dicotômicos, tortuosos e grossos formam uma copa moderadamente ampla e globosa. O tronco, mais ou menos reto e cilíndrico, possui casca pouco espessa e escura, fissurada longitudinalmente e descorticante em placas grandes. A casca apresenta coloração pardo-cinzenta.

As raízes são vigorosas e profundas.

As folhas, de coloração verde-escura, são opostas, decícuas, compostas, digitadas, longamente pecioladas e com os bordos serrilhados. Cada folha é composta por 5 a 7 folíolos, glabros, com ápice agudo.

A flor, roxo-violácea, é pouco pilosa. São muito abundantes, nascendo nos ramos ainda sem folhas, com lenho adulto. O cálice é pequeno, campanulado e a corola campanulada-afunilada.

O fruto, seco e deiscente, é linear ou sinuoso, estriado, muito longo, podendo atingir até mais de 50 cm, de coloração preta. As cápsulas são bivalvares do tipo síliqua, semelhante a uma vagem estreita e comprida, atenuada pra dentro.

As sementes aparecem em grande quantidade e são grandes e aladas. Medem de 2,5 a 3 cm de comprimento e cerca de 6 a 7 mm de largura. São acastanhadas e membranáceas mais ou menos brilahntes.

Reprodução

No período que antecede a floração, as folhas caem e surgem no ápice dos ramos magníficas panículas com numerosas flores tubulosas, de coloração rósea ou roxa, perfumadas e atrativas para abelhas e pássaros.

A floração ocorre de junho a setembro e os frutos amadurecem de julho a novembro, sendo que em plantio a frutificação inicia entre 5 e 7 anos.

Ocorrência Natural

Ocorre naturalmente no sul e oeste da Bahia, no Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo e no nordeste da Argentina, sul da Bolívia, leste do Paraguai e Uruguai. Compreende a latitude de 13ºS (BA) a 30ºS (RS).

A espécie ocorre da Bahia à Guanabara, sobre a Serra do mar.

Clima

Tabebuia heptaphylla, abrange, de acordo com a classificação de Köppen, os seguintes tipos climáticos: Clima tropical úmido e subúmido, Clima tropical, com inverno seco, Clima subtropical de inverno seco e Clima subtropical, com verão quente.

O ipê-roxo ocorre em locais com regime pluviométrico uniforme, porém aceita um déficit hídrico moderado. A precipitação pode variar de 1000 mm a 1900 mm.

Quanto à temperatura, abrange variação média anual de 18º C a 26º C

Solo

A espécie ocorre em solos como os Argissolos, com altitudes até 400 metros; em Cambissolos, entre 400 e 800 metros e em Latossolos, em altitudes que podem variar entre 800 m a 1500 m.

O ipê-roxo tem apresentado um melhor crescimento em solos com fertilidade química média a elevada, profundos, com boa drenagem e de textura franca a argilosa.

Pragas e Doenças

A madeira é resistente ao ataque de insetos e ao apodrecimento.

A Madeira

As madeiras do gênero Tabebuia spp são muito pesadas e duras, possuindo alta resistência mecânica e baixa retrabilidade volumétrica. A secagem destas madeiras ao ar é de média a rápida, e apresenta pequenos problemas de rachaduras e empenamentos, no entanto, a secagem artificial pode agravar a incidência de defeitos. Estas características as tornam moderadamente difícial de trabalhar, principalmente com ferramentas manuais, que perdem rapidamente a afiação.

A densidade da madeira é da ordem de 1070 kg/m³ de madeira seca, possuindo coloração escura e alburno claro. A superfície é pouco brilhante, lisa e de aspecto oleoso. É considerada “madeira de lei”.

Usos da Madeira

O uso da madeira de ipê-roxo para dormentes, tacos, portais, postes, eixos de roda, na construção civil como vigas, por exemplo, e na construção naval como quilhas de navio. Segundo JANKOWSKY et all. (1990), a madeira do gênero Tabebuia pode ser usada para mobiliário, batentes, instrumentos musicais, degraus de escada, bolas de boliche entre outros.

Produtos Não-Madeireiros

Da casca, são extraídos os ácidos tânicos e lapáchico, sais alcalinos e corante que é usado para tingir algodão e seda.

O ipê-roxo é muito usado em medicina popular. Da entrecasca faz-se um chá que é usado no tratamento de gripes e depurativo do sangue. As folhas são utilizadas contra úlceras sifilíticas e blenorrágicas. A espécie também tem propriedades anticancerígenas, anti-reumáticas e antianêmicas. A casca da espécie está entre os produtos amazônicos, com reconhecido poder medicinal, mais procurados.

O ipê-roxo também é usado como recurso medicinal no estado do mato Grosso para tratamento de diabetes mellitus.

Outros Usos

A espécie é bastante ornamental pela coloração de rosa e lilás intenso, sendo muito utilizada em praças, jardins públicos e na arborização de ruas, avenidas, estradas e alamedas e também em recomposição de mata ciliar. Em reflorestamentos é utilizada na reposição de mata ciliar para locais sem inundações.

Apesar de ser indicada para arborização urbana, esta árvore não é recomendada para o uso em calçadas estreitas (< 2,5 m), em locais com fiação aérea e ausência de recuo predial, isto porque a espécie atinge, na fase adulta, de 5 a 8 metros de altura com o raio da copa variando em torno de 04 a 05 metros.

É indicado para a recomposição de matas ciliares para região Sul e Sudeste do país, pois é uma espécie que costuma povoar as beiras dos rios.

Crescimento e Produção

O ipê-roxo apresenta crescimento lento a moderado. Em plantio, a produção volumétrica máxima obtida foi de 6,60 m³/ha/ano. Utilizando espaçamento 4 x 4 m, a porcentagem de plantas vivas foi de 85,38%. Possuem crescimento moderado, porém quando comparado com as espécies florestais nativas, os ipês têm desenvolvimento relativamente rápido, prestando-se muito bem a florstamentos e reflorestamentos industriais.

O ipê-roxo, assim como o jatobá, apresentaram um crescimento intermediário.

Aspectos Silviculturais

Apresenta crecimento irregular, com dominância apical não definida e bifurcações a várias alturas e próximas entre si. Após o corte, apresenta brotação e possui desrama natural deficiente, necessitando de podas freqüentes de condução e dos galhos para aumentar sua altura comercial. O ipê-roxo pode ser plantado: a) a pleno sol em plantio puro, com comportamento satisfatório quando plantado em solos férteis, porém com forma inadequada , b) em plantio misto, associado com espécies pioneiras e secundárias, visando melhoria na forma do fuste e c) em vegetação matricial arbórea, em faixas na vegetação secundária e plantado em linhas.

Produção de Mudas

Para aproveitamento de sementes, os frutos devem ser coletados diretamente da árvore quando mudam da cor verde para quase preta, antes da dispersão das sementes.

As sementes devem ser postas pra germinar logo que colhidas, em canteiros ou embalagens individuais contendo solo argiloso rico em matéria orgânica. Cobrir apenas levemente as sementes com substrato peneirado, mantendo-as em ambiente semi-sombreado. A emergência ocorre em 10-12 dias e o desenvolvimento das mudas é rápido, ficando prontas para o plantio no local definitivo em menos de 4 meses. O desenvolvimento das plantas no campo é apenas moderado, alcançando aproximadamente 3 metros em 2 anos.

Sementes

Produz sementes cuja viabilidade varia de 3 a 15 meses em câmaras frias/seca, com redução drásticas da viabilidade na câmara fria e ambiente de laboratório.

As sementes de ipê-roxo são ortodoxas e possuem taxa de germinação de 60%. Para cada quilo obtém-se de 13.500 a 35.00 sementes.

Preço da Madeira no Mercado

O preço médio do metro cúbico de pranchas de ipê no Estado do Pará, cotado em Julho e Agosto de 2005, foi de R$ 1.200,00 o preço mínimo, R$ 1.509,35 o médio e R$ 2.000,00 o preço máximo

terça-feira, 8 de abril de 2008

JARINA: Marfim Vegetal


O marfim-vegetal, ou jarina, é uma variedade de palmeira encontrada principalmente no norte da América do Sul. Essa árvore de crescimento lento tem belas frondes que brotam diretamente do chão. Por anos não se vê o tronco. Um marfim-vegetal com tronco de dois metros de altura tem pelo menos 35 a 40 anos.

Uma palmeira incomum.

O marfim-vegetal, ou jarina, é uma variedade de palmeira encontrada principalmente no norte da América do Sul. Essa árvore de crescimento lento tem belas frondes que brotam diretamente do chão. Por anos não se vê o tronco. Um marfim-vegetal com tronco de dois metros de altura tem pelo menos 35 a 40 anos. Logo abaixo das folhas nascem grandes aglomerados fibrosos que, em geral, pesam 10 quilos e consistem em frutos lenhosos bem compactos. Cada fruto geralmente contém de quatro a nove sementes, mais ou menos do tamanho e formato de um ovo de galinha. De início, as cavidades das sementes contêm um líquido refrescante, parecido com água de coco. Depois, o líquido se transforma numa gelatina doce e comestível. Por fim, a gelatina amadurece e vira uma substância branca e dura, incrivelmente parecida com o marfim de origem animal.

O marfim vegetal é uma alternativa prática, pois se parece com o de origem animal, é extremamente duro, permite bastante polimento e absorve bem os corantes. O marfim vegetal e o animal são tão parecidos que os artesãos em geral deixam um pouco da casca marrom nos seus produtos para provar que não usaram marfim de elefante – proibido em todo o mundo.

O marfim-vegetal não é uma descoberta recente. Já em 1750, o frei sul-americano Juan de Santa Gertrudis mencionou-o em suas crônicas, comparando as sementes a "bolas de mármore" usadas para entalhar estatuetas. No início dos anos 1900, o Equador, principal fonte do marfim-vegetal, exportava milhares de toneladas de sementes todo ano, principalmente para a produção de botões. Depois da Segunda Guerra Mundial, o surgimento de plásticos novos e baratos praticamente acabou com o comércio de marfim-vegetal.

As muitas utilidades do marfim-vegetal

As sementes são deixadas secar sob o sol tropical por um a três meses, dependendo do teor de água. Depois são descascadas numa máquina, classificadas segundo o tamanho e cortadas em fatias para serem então utilizadas na fabricação de botões. De fato, botões de "marfim" tirado dessa árvore adornam algumas das melhores roupas do mundo. Mas o marfim-vegetal não é usado só em botões. Entre os muitos produtos feitos dele estão jóias, peças de xadrez, palhetas para instrumentos de sopro, teclas de piano e cabos de guarda-chuva.
Acima de tudo, o marfim-vegetal pode contribuir muito para a preservação do elefante africano. Assim, se você desejar o luxo do marfim, não é preciso ir buscá-lo nas savanas africanas. Recorra às florestas tropicais da América do Sul onde o marfim é tão abundante que dá em árvores! Sim, lembre-se do marfim-vegetal, o benfeitor do elefante.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

CIPA


Regida pela Lei nº 6.514 de 22/12/77 e regulamentada pela NR-5 do Ministério do Trabalho, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA foi aprovada pela portaria nº 3.214 de 08/06/76, publicada no D.O.U. de 29/12/94 e modificada em 15/02/95.

A CIPA é uma comissão composta por representantes do empregador e dos empregados, e tem como missão a preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores e de todos aqueles que interagem com a empresa.

Sem essa conscientização, o esforço do Serviço de Segurança e da CIPA esbarram em dificuldades intransponíveis.

A Segurança do Trabalho começa no trabalhador. Daí a necessidade de informá-lo e treiná-lo através de cursos, palestras e textos elucidativos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Kuzushi

Refere-se às técnicas de desequilíbrio; a prática de judô baseia-se no equilíbrio, portanto é um estudo de grande importância já que através dele aplicamos todas as projeções. Para estudar as direções em que podemos desequilibrar, deve-se considerar o seguinte: O centro de gravidade do homem situa-se no baixo ventre. Sendo assim, quando a perpendicular traçada a partir do centro de gravidade até o solo cair fora do polígono de sustentação, encontra-se desequilibrado. Este desequilíbrio dá origem, nos praticantes, a oito direções designadas por happo-no-kuzushi; para frente; para trás; para direita; para esquerda e quatro oblíquas derivadas, assim como muitas outras. Assim quando o adversário se encontra em desequilíbrio para frente, temos de continuar o desequilíbrio, projetando-o para frente. Faremos para trás, quando se encontra em desequilíbrio para trás. Uma das máximas de Jigoro Kano, criador do Judô era: “um mínimo de força para um máximo de eficiência”. O Kuzushi (desiquilíbrio) materializa essa idéia.

Alguns estudiosos da obra de Jigoro Kano acreditam ter sido a sua maior contribuição o fato de ter analisado, dividido e dado nome às fases de projeção, ou seja, Kuzushi (desequilíbrio), Kake (entrada) e Tsukuri (posicionamento do corpo). Partindo destes princípios a aplicação de uma técnica abrangeria duas possibilidades:
a) Uma é escolher a técnica para depois preparar o adversário para recebê-la.
b) Outra é aproveitar um eventual desequilíbrio para aplicar a técnica mais conveniente e oportuna.
Em ambas as situações há a necessidade da quebra do equilíbrio do adversário (kuzushi).
O Kuzushi pode ser realizado em pé ou de joelhos,mas sem uma clara compreensão de Kuzushi o judoka terá pouco ou nenhum sucesso ao arremessar um oponente. Desequilibrar o oponente, especialmente no momento inicial do contato, é essencial.
Tsukuri
É a relação entre a sua posição e a do adversário. É colocar o seu corpo na melhor posição para aplicar a projeção, enquanto continua a desequilibrar o adversário. Tentar fazer uma projeção antes de estabelecer um tsukuri correto é pura perda de energia.

Kake

É a aplicação da projeção, obedecendo a seqüência: kuzushi, tsukuri e finalmente kake. Vale ressaltar que judô é usar a posição do adversário em benefício próprio e não projetá-lo por superioridade de peso ou força. Ao aplicar uma projeção, usa-se o corpo suavemente como uma só unidade. Todas as partes do corpo devem atuar em harmonia. Se bem que em cada projeção se dê maior ênfase à utilização de determinada parte do corpo, tal como mãos, quadris ou pés, em qualquer projeção é importante o movimento de todo o corpo. A parte do corpo a que se faz menção serve para orientar a projeção do adversário.

Alguns princípios para orientação

Deve-se manter o corpo relaxado, proporcionando maior flexibilidade e certa imprevisibilidade frente ao adversário. Para manter o equilíbrio flexiona-se os joelhos sem dobrar a cintura, demonstrando confiança. Na dúvida, faça um movimento rápido e decidido. Tentativas receosas são inúteis e representam perda de energia. Portanto estas três fases são muito importantes para execução perfeita das técnicas. Elas podem ser observadas no nage-no-kata (formas convencionais de projeção).

Agradecimentos a Elton Silva, pesquisador e entusiasta do Judô.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ocupação e Uso do Solo


OCUPAÇÃO DO SOLO - regula o modo e a forma que a edificação ocupa o solo, ou seja, estabelece regras de ocupação do solo para as edificações. Por exemplo, se o terreno pode ser ocupado (construído) em toda sua extensão ou se deve haver uma porcentagem do terreno destinada à permeabilidade do solo (área não construída e permeável). Se a edificação pode ter liberdade de implantação no terreno ou se devem estabelecer faixas (recuos) que delimitam a área ocupada pela edificação no lote.

USO DO SOLO - regula os usos e atividades das edificações. Estabelece regras de implantação para determinados usos e atividades. Tais regras podem ser diferenciadas por tipo do uso e/ou atividade e também pela localização (regiões com acessibilidade a vias expressas; regiões predominantemente residenciais; regiões que concentram atividades de comércio e serviços; etc.).

Objetivos da Lei de Uso e Ocupação: 1. Definir o que pode ser feito em cada terreno particular considerando a relação com seu entorno imediato (lotes vizinhos), com seu entorno local (região do Município em que o terreno se localiza) e com o Município – em suma, o que pode e o que não pode fazer em cada lote; 2. Estabelecer condições para a instalação e funcionamento das atividades econômicas PERMANENTES que se realizam nos espaços privados.

Parâmetros Urbanísticos

1. Coeficiente de aproveitamento (C.A.): indica a área construída máxima que cada terreno pode ter. O C.A. básico indica o quanto é permitido construir de forma gratuita, o C.A. máximo indica o quanto é permitido construir de forma onerosa (paga).
2. Taxa de Ocupação (T.O.): indica qual a percentagem máxima do terreno que pode ser ocupada por um pavimento.
3. Taxa de Permeabilidade (T.P.): indica qual o percentual do terreno que deve ser mantido permeável.
4. Taxa de Arborização (T.A.): indica qual o percentual mínimo do lote, sobre o que exceder 200m2, que deverá ser mantido arborizado, facultando-se ao proprietário transferir para lotes próximos o restante da área preservada exigida pelos órgãos ambientais.
5. Gabarito máximo: altura máxima da edificação em metros.

Pólos Geradores de Tráfego - De acordo com o número de vagas calculado pelo Código de Obras, as atividades serão classificadas como de baixo impacto (até 10 vagas), de médio impacto (de 11 a 50 vagas) e/ou de alto impacto (acima de 50 vagas). Acima de 10 vagas, os projetos estarão sujeitos à uma análise do Executivo que exigirá o cumprimento de medidas mitigadoras previstas no anexo IV.
Acima de 100 vagas, o empreendimento será considerado de impacto e estará sujeito a um Estudo de Impacto de Vizinhança.

segunda-feira, 31 de março de 2008

O Mito Moderno da Natureza Intocada


O Mito Moderno da Natureza Intocada trata das relações simbólicas e do imaginário entre o homem e a natureza, tendo como centro da análise as áreas naturais protegidas.

No mundo em que a civilização urbano-industrial desenvolveu conhecimentos científicos, tecnologias e também meios poderosos de devastação da natureza, rompendo antigas alianças que ligavam o homem à natureza, os mitos ainda continuam vivos. Um desses mitos modernos, originário dos países industrializados, se refere às áreas naturais protegidas, consideradas pelo ecologismo preservacionista como o paraíso, um espaço desabitado, e que a natureza deve ser conservada virgem e intocada.

Sucede que esse mito se confronta com outros mitos e simbologias que as populações tradicionais moradoras de parques nacionais protegidos (indígenas, pescadores artesanais, ribeirinhos) têm em relação ao mundo natural. Esse trabalho é também fruto de pesquisas e reflexões sobre o papel da diversidade sócio-cultural e diversidade biológica na afirmação da necessidade de se encontrar uma relação mais harmoniosa entre o homem moderno e a natureza.

domingo, 30 de março de 2008

Incineração do Lixo


Por conta da sua condição de país sub-desenvolvido e pouco investimento em pesquisa, o Brasil está sempre 20 a 30 anos atrasado, tecnologicamente, em relação à Europa e Estados Unidos. Infelizmente. Foi assim com a adoção de difusores de O2 no fundo dos reatores biológicos das ETEs; de indicadores biológicos (invertebrados aquáticos e peixes), na avaliação da degradação ambiental dos córregos e outros mananciais; com a aplicação de mantas têxteis nos aterros sanitários; e, agora, com a incineração generalizada dos seus resíduos sólidos domésticos (que ainda nem começou por aqui).

O Ibope divulgou, recentemente, os resultados de pesquisa realizada em todas as regiões do país, por encomenda da ONG ambientalista WWF-Brasil, sobre a percepção e atitude dos brasileiros em relação aos problemas do meio ambiente, mais especificamente ao uso da água.

Da pesquisa, destacamos a percepção espontânea de 10% da população brasileira de que o lixo é um dos nossos três principais problemas ambientais. Considerando que a poluição das águas, indicada por mais de 50% dos entrevistados como o principal problema ambiental brasileiro, é, em grande parte, causada pela destinação incorreta do lixo urbano, concluímos que o lixo é o grande vilão do meio ambiente em nosso país.

Uma solução muito difundida em passado recente --- os aterros sanitários --- é hoje evitada sempre que possível. Além do risco de contaminação das águas, sempre presente ainda que o aterro seja concebido dentro da melhor técnica, há as inevitáveis emanações do biogás resultante da degradação da matéria orgânica ali depositada, composto por cerca de 50% de gás metano (CH4), 21 vezes mais prejudicial ao aquecimento global do que o CO2. Na Europa, a proibição do envio de matéria biodegradável para os aterros é uma das principais metas de redução das emissões dos gases estufa. Mesmo as melhores técnicas de captura do biogás de aterro para geração de energia não obtêm eficiência superior a 70%.

Por outro lado, uma rota tecnológica muito criticada no final dos anos 80 aproveitou forte evolução técnica durante os anos 90 e hoje representa o que há de mais moderno em termos de destinação final dos resíduos urbanos: o tratamento térmico do lixo com geração de energia.
Mais de 130 milhões de toneladas de lixo por ano são utilizados como combustível para geração de energia, em centenas de usinas espalhadas pelo mundo, totalizando potência instalada equivalente a uma Usina de Itaipu.

A Convenção de Estocolmo sobre poluentes persistentes (2001) relaciona o tratamento térmico dos resíduos urbanos entre as “melhores técnicas disponíveis e melhores práticas ambientais”, desde que atendidos preceitos técnicos básicos: combustão dos resíduos em elevada temperatura e tempo de residência adequado, sistemas fechados e purificação dos gases/vapores.

O Brasil é um dos poucos signatários da Convenção de Estocolmo que, mesmo possuindo tecnologia nacional desenvolvida de acordo com as recomendações da Convenção, ainda não dispõe de nenhuma instalação de tratamento de resíduos urbanos com geração de energia em operação comercial.

Surpreendentemente ainda há resistências, dentro e fora do governo, às tecnologias modernas de destinação final de lixo já consagradas no mundo.

Japão, Suécia e Dinamarca, líderes no processo, tem muito a nos ensinar. Na Dinamarca, p.ex., é praticado há mais de cem anos.